Aula 3: Aprenda os acordes Em e F e toque "Essa Tal Liberdade"

Guia Definitivo do Iniciante no Cavaquinho – Aula 3: Aprenda os acordes Em e F e toque "Essa Tal Liberdade"

Descubra como ampliar seu repertório de acordes e desenvolver a coordenação entre as mãos para tocar sambas e pagodes com mais segurança

Se você acompanhou as duas primeiras aulas do Guia Definitivo do Iniciante de Cavaquinho, chegou o momento de dar mais um importante passo na sua evolução.

Nesta terceira aula da série Cavaquinho sem Segredos, vamos aprender dois novos acordes, desenvolver ainda mais a independência entre as mãos e aplicar esse conhecimento em uma das músicas mais conhecidas do samba: Essa Tal Liberdade.

Além da parte prática, conheceremos a trajetória de um dos maiores cavaquinistas da história da música brasileira: Canhotinho, considerado por muitos o sucessor natural de Waldir Azevedo.


Antes de continuar, revise as aulas anteriores

O aprendizado do cavaquinho acontece por etapas.

Cada novo acorde depende dos anteriores.

Cada nova batida exige que a anterior esteja totalmente assimilada.

Por isso, antes de seguir adiante, vale a pena revisar o conteúdo das primeiras aulas.

Até aqui você já aprendeu:

  • a primeira batida de samba para iniciantes;
  • os acordes de C (Dó Maior);
  • G7 (Sol com Sétima);
  • A7 (Lá com Sétima);
  • Dm (Ré Menor);
  • como dividir a batida em duas células;
  • como acompanhar músicas utilizando cifras.

Se algum desses conteúdos ainda causa dúvidas, o ideal é voltar aos episódios anteriores antes de prosseguir.

Uma base sólida torna o aprendizado muito mais rápido.


Faça sempre um aquecimento

Um erro bastante comum entre iniciantes é pegar o cavaquinho e começar imediatamente a tocar músicas.

O ideal é iniciar cada estudo com alguns minutos de aquecimento.

Mesmo quando você estiver assistindo televisão, ouvindo um podcast ou acompanhando uma partida de futebol, pode aproveitar esse momento para repetir a batida com as cordas abafadas.

Essa repetição constante ajuda o cérebro a transformar o movimento em algo automático.

Quando isso acontece, você deixa de "pensar" na mão direita e passa a concentrar sua atenção apenas na música.

Esse é exatamente o objetivo do treinamento.


Relembrando a batida

Continuamos utilizando a mesma batida apresentada nas primeiras aulas.

Ela permanece dividida em duas partes:

Célula 1

Corresponde à primeira metade da batida.

celula batida 1

Célula 2

Corresponde à segunda metade.

celula batida 2

Depois de dominar cada parte separadamente, basta uni-las para formar a batida completa.

Não tenha pressa.

Velocidade é consequência da repetição correta.


Dois novos acordes para ampliar seu repertório

Nesta aula acrescentaremos dois acordes extremamente utilizados na música popular brasileira.

São eles:

  • Em (Mi Menor)

acorde Em

  • F (Fá Maior)

acorde F

Junto com os acordes aprendidos anteriormente, eles permitirão tocar dezenas de músicas do repertório popular.


Como montar o acorde de Mi Menor (Em)

A transição parte do acorde de Dó Maior.

A vantagem é que praticamente não existe dificuldade.

Basta retirar o dedo indicador.

Pronto.

Você já terá formado o acorde de Mi Menor.

Esse tipo de economia de movimento é fundamental.

Quanto menos os dedos precisarem sair da posição, mais rápidas serão suas trocas.


O primeiro grande desafio: o acorde de Fá

Para muitos alunos, este será o primeiro acorde realmente desafiador.

Nesta aula, porém, é utilizada uma adaptação extremamente inteligente.

Em vez de ensinar imediatamente o Fá tradicional, o professor apresenta inicialmente o Fá com sexta (F6).

Na prática, essa adaptação produz um resultado muito parecido para quem está iniciando, mas exige muito menos esforço da mão esquerda.

A montagem ocorre em forma de "escada":

  • dedo indicador;
  • dedo médio;
  • dedo anelar.

Treine lentamente.

Monte.

Desmonte.

Monte novamente.

Repita diversas vezes.

Quanto mais natural ficar esse movimento, mais fácil será evoluir para o Fá completo futuramente.


Aproveitando a posição para chegar ao G7

Depois de montar o acorde de Fá, a troca para G7 fica muito simples.

Na prática, basta manter um dos dedos já apoiados e reorganizar a mão.

Observe como os acordes começam a conversar entre si.

Esse é justamente um dos objetivos da metodologia utilizada nesta série.

O aluno não memoriza apenas desenhos.

Ele aprende caminhos entre os acordes.


Treine primeiro a mecânica da mão esquerda

Antes mesmo de pensar na batida, pratique apenas a sequência dos acordes.

Repita várias vezes:

C → Em → F → G7

Sem ritmo.

Sem música.

Sem velocidade.

Somente depois que a mão esquerda estiver totalmente confortável é que você deve acrescentar a mão direita.

Esse treinamento reduz bastante os erros durante a execução da música.


Hora de juntar batida e acordes

Agora sim chega o momento de unir tudo.

Cada acorde ocupa meia batida.

Isso significa:

  • Célula 1 no primeiro acorde;
  • Célula 2 no segundo;
  • Célula 1 no terceiro;
  • Célula 2 no quarto.

Essa divisão facilita muito a leitura das cifras e ajuda o iniciante a compreender a organização dos compassos.


Aplicando na música "Essa Tal Liberdade"

Depois de praticar a sequência, chegou a hora de tocar uma música.

A escolhida foi Essa Tal Liberdade.

Originalmente gravada em outro tom, ela foi adaptada para Dó Maior, tornando-se muito mais acessível para quem está começando.

Durante este exercício existe uma recomendação importante:

Não tente cantar.

Seu objetivo neste momento é desenvolver ritmo, coordenação e troca de acordes.

O canto virá naturalmente mais adiante.

Primeiro aprenda a tocar.

Depois aprenda a cantar enquanto toca.


Bambas do Cavaco: Canhotinho

O sucessor de Waldir Azevedo

Nesta aula o destaque fica para Canhotinho.

Nascido em Espírito Santo do Pinhal, iniciou sua trajetória ainda muito jovem.

A paixão pela música era tão grande que chegou a fugir de casa para tocar em circos, que naquela época funcionavam como importantes centros de formação artística.

Mais tarde serviu ao Exército, mas acabou retornando definitivamente à carreira musical.

Em 1962, ingressou no grupo Demônios da Garoa, permanecendo como cavaquinista por décadas.

Seu virtuosismo chamou a atenção do próprio Waldir Azevedo, que o considerava seu sucessor legítimo.

Além da atuação no grupo, Canhotinho desenvolveu importante carreira solo dedicada principalmente ao choro.

Seu fraseado refinado, técnica impecável e enorme musicalidade fazem dele uma referência obrigatória para qualquer estudante de cavaquinho.


Ouvir é Aprender: Chorando na Rua

A recomendação musical desta aula é **Chorando na Rua>.

Mais do que estudar os acordes, procure observar:

  • o fraseado do cavaquinho;
  • os arpejos utilizados;
  • a dinâmica da interpretação;
  • o equilíbrio entre técnica e musicalidade.

Canhotinho demonstra que virtuosismo não significa tocar muitas notas.

Significa tocar exatamente as notas certas.

Ouvir grandes mestres continua sendo uma das formas mais eficientes de desenvolver bom gosto musical.


Perguntas dos alunos

Existe uma corda mais macia para cavaquinho?

Sim.

Algumas cordas de nylon proporcionam uma sensação mais confortável, especialmente para quem está iniciando.

Uma das opções bastante conhecidas é a marca Aquila, produzida em material sintético semelhante ao nylon.

Independentemente da corda utilizada, existe outro detalhe muito importante.

Muitos cavaquinhos chegam de fábrica com a ação (altura das cordas) muito alta.

Nesses casos, vale a pena procurar um bom luthier para realizar uma regulagem completa do instrumento.

Além de melhorar o conforto, essa regulagem facilita bastante o aprendizado.


Qual cavaquinho comprar para começar?

Essa é uma das perguntas mais frequentes.

Para quem procura um bom custo-benefício, modelos das marcas Giannini e Rozini costumam ser excelentes opções para iniciantes.

O mais importante, porém, é que o instrumento esteja bem regulado.

Um cavaquinho simples, mas corretamente ajustado, costuma oferecer uma experiência muito melhor do que um instrumento mais caro mal regulado.


Preciso ter muita paciência para aprender?

Sem dúvida.

Aprender cavaquinho exige três ingredientes fundamentais:

  • disciplina;
  • repetição;
  • constância.

A evolução não acontece de um dia para o outro.

Mas quem pratica regularmente percebe resultados semana após semana.


Conclusão

Nesta terceira aula do Guia Definitivo do Iniciante de Cavaquinho, você ampliou seu repertório aprendendo os acordes Em (Mi Menor) e F (Fá Maior), praticou uma nova sequência harmônica e aplicou esse conhecimento na clássica Essa Tal Liberdade.

Também conheceu um pouco da trajetória de Canhotinho, um dos maiores cavaquinistas da história do samba e do choro, cuja técnica continua inspirando músicos de todas as gerações.

Continue acompanhando a série Cavaquinho sem Segredos aqui no Primeiros Acordes. Nas próximas aulas você aprenderá novos acordes, batidas, técnicas de acompanhamento e recursos fundamentais para desenvolver segurança, musicalidade e independência no cavaquinho.

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